Por que o nome Natal?

Essa pergunta parece boba, todos talvez respondam rapidamente “por que a cidade foi fundada no dia de Natal”. Mas será que é isso mesmo? Historiadores importantes repetiram essa história.  Vicente de Lemos diz:

“A 25 de dezembro do mesmo ano (1599), Jerônimo de Albuquerque, saindo da fortaleza, na distância de meia légua, num terreno elevado e firme, que já se denominava Povoação dos Reis, demarcou o sítio da cidade que recebeu o nome de Natal, em honra desse glorioso dia, que assinala no mundo da cristandade o nascimento do divino redentor”


Outros historiadores, contudo, discordam um pouco desta afirmação. Francisco Adolfo de Varnhagen diz:

“Se chamou do Natal, em virtude sem dúvida de se haver inaugurado o seu pelourinho ou a sua igreja matriz no dia 25 de dezembro desse ano da fundação”.


Rocha Pombo, o primeiro historiador a escrever uma História do Rio Grande do Norte diz:


“Dentro de poucos meses estava mudada a povoação, e pronta a capela, que foi inaugurada em dezembro do mesmo ano, dizendo-se a primeira missa com toda solenidade no dia 25: circunstância que se aproveitou para dar à vila o nome de Natal”.


Então temos duas versões? Não. Tem uma terceira.

O padre Serafim Leite, na História da Companhia de Jesus, a partir de dois documentos que descobriu nos arquivos da Companhia de Jesus em Roma, uma carta escrita pelo jesuíta Pero Rodrigues e uma Relação das cousas do Rio Grande, provavelmente escrita por Gaspar de Samperes. Na carta de 19 de dezembro de 1599 diz-se:

“O capitão do mar se partiu com sua armada, de catorze velas muito bem negociadas, na qual iriam quatrocentos homens. E, com ela entrou, toda, com muita prosperidade, pela barra do Rio Grande, dia de Natal do ano de 97, em que se começava o de 98”.

Na Relação, de 1607:

“O Rio Grande está em cinco graus e meio de altura à parte sul da linha equinocial. Entraram os portugueses neste rio e terra a conquistar no ano de 97, a 25 de dezembro”.


Segundo Serafim Leite, portanto, o nome da cidade seria uma lembrança do momento em que os portugueses chegaram às terras potiguares. Contudo, Cascudo resolve o problema com maestria. Para ele, as versões da fundação da cidade no dia 25 ou da chegada a terra no dia 25 não são necessariamente excludentes. É possível que se tenha chegado aqui no dia 25 e, dois anos depois, no mesmo dia, em sessão solene, fundar-se a cidade. Se esse final é bom pra Cascudo, é bom pra mim também.